Badboy of' Mine - Capítulo 43

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- Sirenes


Eu quero dinheiro e todo o seu poder, toda a sua glória. Quero levar tudo que você possui. Minha vida é repleta de perdas, vitórias, falhas e quedas. Drogas e diamantes, drogas e diamantes, diamantes... -Money Power Glory.

SeuNome P.O.V's

Aquela noite parecia ter mais horas do que eu podia contar. Eu lutava silenciosamente contra o impulso de lembrar das inúmeras coisas que tinham acontecido nas últimas trinta e poucas horas. Se eu achava muito, mal podia imaginar como estava a mente de Zayn. Eu me assustava com seus impulsos mais violentos, mas ao mesmo tempo me sentia aliviada dele não guardar tudo dentro de si como costumava fazer constantemente antes.
Geralmente eu usava apenas um lado do fone, o que era o bastante para me refugiar na minha playlist preferida mas também me deixava prestar atenção na movimentação na casa a minha volta ao mesmo tempo. Só que, naquele dia, eu precisei usar os dois lados do fone, e colocar o volume no máximo. Tudo para espantar para longe essas recentes lembranças. A caixa com as partes de Frank, Zayn querendo ir atrás do Mitchell sozinho e sem pensar, agora essa história de celular, Piper e tudo mais. Era tão arriscado. Meu coração apertado alertava-me disso, mesmo que conscientemente eu já estivesse tão acostumada que a dor da preocupação era como uma velha amiga. Eu entendia o lado dele, entendia seu sentimento fervente de se vingar pela morte do Frank, daquele besta idiota que era nosso Frank. Ele devia estar aqui agora, mas não era nisso que eu queria pensar. 
E só para completar o Zayn que mal chegou em casa todo machucado, saiu outra vez a algumas horas. Sumiu no mundo outra vez, sem me dizer pra onde ia e o que ia fazer. Aliás, ele nunca fala né? Minha vontade é de mandar um "que se exploda" de uma vez, que vá guardar segredo no inferno. Imagina se os capangas daquele merda encontram ele? Se é que não foram eles que deram aquela bela surra no Zayn. Tá tudo tão confuso que eu simplesmente não sei o que fazer, se devo continuar me desgastando com preocupações que não levam a nada...
                 Lá pelas 2 da manhã, Zayn chega em casa. Entrando pelos fundo, é claro. Com o cigarrão presente na mão, o rosto abatido e os olhos sem encontrar os de ninguém de propósito. A não ser, os de Jack que já esperava a chegada dele completamente inquieto, e rezando para Piper estar bem. Eu não fui acalma-lo, não sei se deveria afinal. Vi do sofá em que estava sentada a maneira que Zayn o olhou, sem expressão nenhuma quando disse ao Jack "Sinto muito". Meu coração apertado ficou do tamanho de uma semente. Depois disso, Zayn não ficou muito mais tempo na sala. Vi em seus olhos que sua mente não estava aqui. Ele estava pensando em alguma coisa, muito distante. Quando eu tentei para-lo, o cara a minha frente se soltou da minha mão após me olhar profundamente com lágrimas brotando em seus olhos. É claro que eu me atrevi a imaginar mil e uma coisas que poderiam ter acontecido, mas palavra alguma saiu da minha boca. Ele desviou de mim pegando uma garrafa de uísque e seguiu para seu estúdio onde acabou por passar a noite sozinho.

...

                              A agitação constante que mal nos dava tempo para respirar que passamos nos últimos dias havia se acalmado. As cargas, vendas e demanda que tínhamos gerou uma gigante distração nos dias que seguiram, comparado ao que passamos, podia dizer que voltamos a rotina normal. Não pude decidir se isso me acalmava os nervos, ou deixava-me desconfiada. Ninguém falou muito sobre a Piper -acabei descobrindo por Danny que ela estava morta-, mas Jack mal falava a não ser o básico por causa das vendas. Quanto a mim? Eu cultivava sem querer ou poder evitar uma inquietude interior tão ampla e intensa como um oceano. 
      Terminei de contornar meus olhos com lápis preto e passei um pouco de pó para esconder as olheiras antes de colocar um casaco claro que modelava meu corpo. Separei meu dinheiro de final do mês em vários maços em cima da cama, tendo em mente organizadamente qual seria o fim de cada um deles. É claro que, boa parte eu guardava caso precisasse...eu não sei. Eu confio em Zayn mas acho que ultimamente as coisas saíram mais do seu controle do que ele podia imaginar que faria. Eu não planejava voltar para San Diego nem que fosse amarrada para isso, não queria deixar esse negócio mas sentia que se (lê-se quando) algo irreversível acontecesse, eu teria como me vivar sozinha por um tempo. 
Guardei todos os maços em seus respectivos lugares e suspirei ignorando a dor de cabeça que não me deixava. Após pegar minha bolsa, deixei o quarto batendo os sapatos pelo corredor enquanto sentia o couro apertado na minha cintura. A essa hora a casa estava vazia, afinal todos estavam em seus turnos. As luzes todas apagadas me transmitiam uma enorme sensação de calmaria...que não duraram até eu chegar na escadaria. 

- SeuNome, é você que está aí? -anunciando claramente sua presença e quase me matando de susto por achar que estava sozinha na casa, Zayn colocou metade do corpo para fora de seu quarto. A luz acesa dele mergulhou o ambiente do corredor em penumbra. Parei de andar como se me encaixasse na faixa de namorada traíra sendo pega pelo namorado. Que horror eu pensar nisso, nem fiz nada de errado. Então por que estou me sentindo como se estivesse sido pega no flagra? – Se assustou? -riu. 
Eu: É, você abriu a porta do nada.
Zayn: O que está fazendo? -seus olhos acompanharam minhas curvas até embaixo,  -Ou melhor dizendo, onde vai? -o encarei seriamente. Não queria arrumar briga, mas se ele não dizia, por que eu deveria? -Você...alguém tá em casa? 
Eu: Não, só nós. -fiz menção de descer, e pensei conseguir sair de fininho, mas ouvi meu nome outra vez soar roucamente pelo corredor. 
Zayn: Ainda não respondeu onde vai. 
Eu: Vou tirar o dia de folga, não aguento mais ficar vigiando o recebimento das cargas. Troquei de horário com Logan. -me justifiquei. -Vou beber numa boate qualquer.

Zayn: Agora? Não. Você não vai. -balançou a cabeça com a fala enérgica. 
Eu: Fala sério, Malik, você não é meu chefe. Não chega nem perto disso. 
Zayn: Malik? -riu estranhamente. -Nossa, está usando sobrenomes. -se armou com seu sarcasmo. Eu o tinha acertado. -O que te deu?
Eu: Te faço a mesma pergunta. Sabe, eu entendo que as coisas estejam difíceis e mais iminentes do que teríamos antecipado mas você não para em casa um minuto sequer, está sempre planejando coisas de que não fazemos ideia do que sejam, parece que entra em transe do nada e resolve as coisas de cabeça quente, seu humor muda tanto que eu não sei como você não enlouqueceu ainda! -confessei. -E...a Piper? Você...a matou? -tomei coragem de perguntar. 
Zayn: Não. -disse convicto. -SeuNome...Droga, eu não...
Eu: Danny disse que ela está morta. 
Zayn: Tinha mais um cara lá quando eu fui encontrar ela. Foi ele. -admitiu. Eu via em seu olhar que não estava mentindo. Não pra mim, ele não faria. Certo? -Não vou mentir que não queria ter feito mas...eu não fiz. -me encarava sem um pingo de receio. -Se quiser acreditar, ótimo. Se não quiser, também estou pouco me fodendo. 
Eu: Eu só queria que você confiasse em mim da maneira que eu confio em você. 
Zayn: E confio!
Eu: Então por que não me diz onde vai e atrás de quem? 
Zayn: Você não conseguiria assimilar. -o sorriso asqueroso não saía de seu rosto. Tive vontade de cuspir na cara dele. 
Eu: Eu estou cansada de ficar imaginando uma coisa pior que a outra quando você está fora dessa casa!
Zayn: Ah, me desculpa se eu estou tentando resolver os meus problemas e envolver o mínimo possível as pessoas com quem eu me importo.
Eu: Não, você não se importa com ninguém além de você. -rebati sem pensar. -Se se importasse, não os deixaria mortos de preocupação. 
Zayn: Caralho, acho que ainda não notou que a única que liga pra isso aqui é você. Todos vão fazer suas próprias coisas e deixam as minhas em paz!
Eu: Somos uma equipe, esqueceu? 
Zayn: Tem coisas que eu devo fazer sozinho, você sabe.
Eu: Eu não sei de nada. -disse um pouco triste. -Na verdade, você não deixa eu saber de nada. 
Zayn: O que eu faço ou deixo de fazer não importa pra você!
Eu: FODA-SE! -esbravejei, me virando para sair dali. Zayn se moveu subitamente atrás de mim me alcançando com seu braço e quando fui me soltar nervosa de seu aperto, o peso de seu confronto fez com que nos desequilibrássemos. Senti o choque de uma protuberância na quina da escada contra meu quadril. Só não caí escada abaixo porque Zayn me segurou firmemente pelos braço acima do cotovelo. 
Zayn: Você não vai a lugar nenhum desse jeito. -recuperada do mini choque, soltei-me dele. 
Eu: Ainda se ilude com a ideia de que é meu dono? -ri imponentemente e seus olhos extremamente avermelhados me encaram desfiadores. -Pelo amor de Deus, você andou se drogando? 
Zayn: Não muda de assunto. -me soltou de uma vez. -Olha só o tamanho dessa saia, vai beber pelada por aí só pra se meter em confusão....
Eu: EU NÃO TÔ PELADA PORRA!
Zayn: Que não seja por isso, posso resolver pra você. -apertou minha cintura com a respiração entrecortada e o empurrei na mesma hora.
Eu: VAI SE FODER! VOCÊ E O SEU MALDITO EGO! -me afastei- Quem pensa que é? Me diz, porque eu não consigo entender. Você devia procurar um médico e arranjar uns remédios para as suas mudanças de humor, não aguento mais esses seus jogos.
Zayn: Não vai sair pra beber.  -afirmou de forma fria e desconversando a respeito do que eu disse. 
Eu: Me deixa em paz cara, a vida é minha.
Zayn: Não interessa, quem manda aqui sou eu!
Eu: É mesmo? Onde está escrito que você manda? A vida é muito curta pra perder tempo com a sua opinião.
Zayn: Sim, a vida é realmente curta mas esse seu projeto de roupa...
Eu: Imbecil! -disse, quase gritando de frustração. Mantive os olhos cravados nele, o recriminando. -Qual o problema de eu sair pra beber agora? Se pensa que pode me prender eu...
Zayn: Não é isso! -se defendeu exasperadamente. -É só que...eu não posso te contar.
Eu: Não pode me contar? -ri amargurada -Está jogando comigo? É isso? -percebi que suas órbitas aumentavam conforme eu pronunciava as minhas palavras, mas logo passou e deixou o olhar de sempre tranquilo. Presunçoso. 
Zayn: Prefiro não...
Eu: Prefere nada! -ralhei- Confia em mim da maneira que diz mas não consegue responder uma simples pergunta? 
Zayn: Quer saber? -riu, aparentemente nervoso. -Foda-se, não importa. Vai, sai logo da minha frente. -disse, virando e indo em direção ao seu quarto. 

Não o impedi e segurei a vontade de xinga-lo antes de sair e bater a porta de casa, deixando-lhe sozinho naquela mansão escura. Que ódio, sempre dando a última palavra, sempre me vencendo. Então seria assim? Mesmo metida até o pescoço nisso eu não podia saber de seus preciosos segredos? Já era de se imaginar. Mas o que eu não conseguia entender era o porquê dele ter agido dessa forma simplesmente por eu estar saindo para me desligar do mundo por algumas horas. Será que tinha algo a ver com ele quase chorar ao me ver quando voltou naquela noite em que Piper foi morta? Ele só podia estar me manipulando, a esse ponto eu já não sabia mais o porquê ou como, só estava confusa demais para achar a resposta correta da incógnita que é a mente de Zayn.

[...]

              Trim trim trim O barulho de algo acabava de me despertar. Tudo bem, nem estava sonhando com nada mesmo. Mesmo assim, grunhi exausta, implorando mentalmente por mais cinco minutos enquanto rolava de um lado para outro na cama, tentando me esconder de qualquer raio de sol. Tive que olhar o visor do celular para ter certeza de que dia era. Segunda-feira. O último fim de semana foi cheio e eu dormi praticamente duas horas por noite, sendo que trabalhei até tarde na madrugada de ontem cobrindo expediente em várias boates da cidade incluindo as do Payne, que era onde mais vendíamos. Geralmente eu acabava por negociar com alguns clientes mais vips, mesmo que os preços fossem rigorosamente tabelados e isso porque, Danny e Débora insistiam que eu levava jeito para a manipulação. No estado de espírito que eu andava, não era difícil levar como um elogio.
          Fui direto pra ducha, tomei um belo banho quente e acho que até exagerei, saindo dele enrolada na toalha e sentindo uma forte tontura que ignorei a procura de uma roupa. Calcei uma sapatilha e saí do quarto com uma toalha enrolada na cabeça mesmo. Minha barriga roncava tanto que secar o cabelo podia esperar. Desci as escadas e o sol entrava pelas janelas da sala esquentando o meu corpo, me fazendo dar um sorriso involuntário. Já indo em direção a cozinha, o cheirinho de café me encheu os sentidos e me fez agradecer por estar de folga hoje e não ter que correr para o trabalho.

Eu: Bom dia, Logan. -disse, me encostando ao batente da cozinha. -Com certeza eu quero o nome do lugar onde você comprou isso. -apontei para a mesa feita com vários doces e café. 
Logan: Bom dia gata. -riu. -Os caras já saíram e eu acabei acordando mais tarde, como eles devem comer fora, fui lá e comprei algo. -deu de ombros. -Senta aí, eu te sirvo. -sorri em resposta e me aproximei, mas meu corpo foi tomado novamente pela mesma quentura febril que me tonteou no banho, que pelo visto ainda presente, amoleceu-me aos poucos. Dessa vez mais forte, de modo que eu mal aguentasse com meu próprio peso. Enquanto meus olhos piscavam lentamente e minhas costas estavam em choque, ouvi Logan gritar. No segundo seguinte suas mãos vinham subitamente ao meu encontro.

[...]
13h34 Las Vegas, Nevada.

Abri os olhos e os fechei de volta tão rápido quanto os abri, sentindo uma luz branca bem em cima do meu rosto completamente incômoda. Tateei a cama de olhos fechados notando que estava ligada a alguns aparelhos. Meu coração acelerou e me obriguei a abrir os olhos mesmo que devagar, durante esse pequeno processo me lembrando da maneira horrível que me senti antes de desmaiar. Droga, eu desmaiei?! A resposta positiva veio assim que olhei a minha volta, percebendo que estava em um pequeno quarto de hospital. Os detalhes foram rapidamente surgindo aos meus olhos enquanto minha cabeça latejava; as paredes tradicionalmente brancas, uma cortina azul ao meu lado esquerdo. Uma tv minúscula estava em um canto na parede a minha frente e a porta do quarto com a parte superior de vidro permitindo-me ver o movimento no corredor. Sentindo-me fugazmente assustada por estar ali e ao mesmo tempo recuperada, tudo que eu queria era ir embora. Com uma das mãos tentei me soltar dos fios, mas uma mão fria rapidamente parou o ato me segurando.

- SeuNome, para! -pediu a voz de Logan e virei a cabeça para olha-lo. Ao lado direito da cama estava uma cadeira larga aonde ele estava sentado de mal jeito. Seu cabelo estava bem penteado embora seus lábios estivessem quebrados e arroxeados. Tinha a mesma cara de lerdo de sempre, e eu fiquei tão feliz em vê-lo. Ele sorriu ao me ver acordada e eu imediatamente tentei levantar o corpo para abraça-lo. -Acho melhor você não se mexer muito, ok? -protestou assim que me sentei na maca.
Eu: O que aconteceu?
Logan: Você desmaiou e não tinha ninguém para quem eu pudesse pedir ajuda. Como não sabia o que era, te trouxe pra cá.
Eu: Obrigada. -sorri.
Logan: De nada, e olha, nunca mais faça isso comigo tá? -disse parecendo aliviado e eu imaginei como deve ter sido ele me trazendo pra emergência super assustado, isso me fez rir.
Eu: Ficou com medo de me perder foi? -falei cheia de humor.
Logan: Não brinca com isso, já chega de perder pessoas. -assenti silenciosamente. Tentei imaginar a razão para aquilo ter acontecido, assim como Logan disse, nem ele que estava aqui sabia. Pensei em um milhão de coisas, e até me surgiram algumas hipóteses. Que a minha alimentação não era a mais saudável ultimamente era fato, mas mesmo assim pensar dessa forma não era muito coerente. -O quão brava e irritada você está comigo? -a pergunta me tirou de meus pensamentos. -Só pra fazermos uma média.
Eu: Por que eu estaria?
Logan: Eu sei que faz um tempo mas nós quase não nos vimos desde que...eu fiquei chapado daquele jeito. Você me aguentou por um tempão fazendo aquelas coisas infantis e depois me colocou na cama, cuidou de mim mesmo tendo que ir naquela trapaça. -ri e peguei sua mão.
Eu: Esquece isso, ok? Não se preocupa, já passou. -suspirei ignorando o baixo ruído de um desenho animado que vinha da tv. - Contou pra alguém que eu estou aqui?
Logan: Não. Na verdade eu não saí daqui desde que chegamos, o médico me deixou esperar aqui dentro você acordar. -explicou- E eu sabia que talvez você não quisesse que...alguém soubesse. -balançou a cabeça devagar dando ênfase no nome intocado e que mesmo assim eu tinha entendido. Ele tinha razão, eu não queria mesmo que Zayn soubesse. Tive de o agradecer novamente.

Cortando o silencio que tinha se estendido na sala, o médico finalmente apareceu no quarto com um sorriso nos lábios que me deu esperança de não ser nada demais como eu pensei. Nós o olhamos imediatamente esperando que ele falasse algo.

Doutor: Como está se sentindo...-olhou uns papéis em suas mãos. -SeuNome?
Eu: Estou melhor com certeza. -respondi meio constrangida, não sei porquê. -Me sinto bem.
Doutor: Isso é ótimo. -se aproximou de mim verificando os aparelhos e ajeitando o que eu tinha tirado do meu braço.
Logan: Mas ela desmaiou do nada na hora do café e ficou desacordada até agora...
Doutor: Se acalme, ela está bem, foi só um susto. -reforçou diante da cara desconfiada de Logan. Eu e ele suspiramos de alivio. -Mas mesmo assim, eu devo perguntar, já teve esses desmaios repentinos antes?
Eu: Não. -afirmei ao tentar me lembrar. -Mas já fiquei levemente tonta, acho que pode ser por não ter me alimentado direito ultimamente. -ofereci minha suposição de alguns minutos atrás. -Eu tomei um banho quente pela manhã e depois disso...
Doutou: Entendi, exatamente o que pensei. -ele não me olhava, apenas anotava algo na prancheta. Aquilo me deixou confusa, de modo que meu estômago se revirasse levemente.
Eu: E o que seria? -perguntei, franzindo as sobrancelhas e inclinando a cabeça de modo questionador.
Doutor: Bom, lugares superaquecidos como um banho ou ducha pode provocar uma dilatação da pressão arterial e consequentemente queda de pressão. Com a pressão caindo, falta oxigenação no cérebro e o desmaio pode ser inevitável mesmo que alguns minutos depois. -concluiu calmamente.
Logan: Quando ela pode sair daqui?
Doutor: Pode sair a partir de agora mas eu aconselharia que passasse o resto do dia de repouso. -deu um sorriso me olhando, como se tivesse algo de bom naquilo. -Como a gravidez provoca uma queda na pressão arterial, o corpo fica ainda mais propenso a desfalecer, deve tomar cuidado e sempre que der comer algo com açúcar...
Eu: Desculpe, mas o que disse...-ri nervosamente. -O que disse agora mesmo sobre...
Doutor: Eu imagino que já soubesse que está grávida, não é? -balancei a cabeça de um lado para outro em negação. Isso devia ser alguma confusão, eu sempre me preveni, sempre tentei estar atenta a isso. Era engano. Lógico que sim, pensamento positivo, SeuNome. Apesar de tudo geralmente ir contra mim, a esperança é a última que morre.
Eu: Isso está errado, deve ter me confundido com alguma outra paciente sua, como...
Doutor: Fizemos uns exames em você, para saber o que tinha e não passou de um simples sintoma da sua gravidez. -parou de falar no momento em que viu minha provável cara de assustada. Meu estômago antes revirado agora parecia uma montanha russa e para não bastar o frio na barriga, eu tremia ridiculamente. Virei o rosto para encarar um Logan atônito, que apenas piscava congelado no mesmo lugar. -Você seria o pai?
Logan: Não, não, não. -foi logo se prontificando a negar, se mexendo pela primeira vez desde que a palavra "gravidez" foi proferida. Era de se imaginar o impacto que aquilo causava nele, em seu interior ferido pelo que deixou a Deb fazer.
Doutor: Er...eu acho melhor deixa-los sozinhos, e, parabéns SeuNome. -disse o médico praticamente sem expressão por causa do clima de frustração que pairava. Deu um pequeno sorriso e se virou em direção da porta, fechando-a assim que saiu. Foi a oportunidade perfeita para que eu deixasse meu lábio inferior cair e franzir a testa, fitando um ponto invisível e sentindo lágrimas quentes avermelharem os lugares onde se acumulavam nos meus olhos, antes que escorressem incessantemente.
Logan: Você está chorando?
Eu: Hum? Chorando? -perguntei passando a mão sobre os olhos. Ao ver as lagrimas não sabia se sorria ou se chorava mais. Não estava entendendo nada e muito menos ele. Levantei meu olhar para Logan e apertei os lábios, sentindo meu rosto arder. -Preciso que guarde segredo. Eu...preciso. -implorei com o olhar e o moreno assentiu.

Sorri em meio as lágrimas, abrindo e fechando a boca na tentativa de dizer algo, qualquer coisa que fosse, mas não consegui. Na ultima tentativa, tudo que fiz foi soltar um som estrangulado de pura agonia, e nesse exato momento Logan em pé ao lado da maca me puxou contra seu peito me abraçando apertado. Foi então que chorei e sorri mais ainda, ele afagava meus cabelos e beijava o topo da minha cabeça, dando-me todo o cuidado que provavelmente não deu a garota que amava quando ela estava nas minhas condições. Mas ele não me dizia que tudo ia ficar bem, muito menos que eu não tinha culpa ou que aquilo era uma fatalidade, nada que fosse clichê ou que as outras pessoas diriam. E eu agradeci mentalmente por isso. Simplesmente estava tão aterrorizada com a ideia de conceber uma criança na vida que eu estava levando, a ponto de eu não poder nem falar sobre isso sem desabar.

Segurei a camisa dele assim que se distanciou, me dando impulso para sair da maca, após ter arrancado aqueles fios de mim agora com sucesso. Vi Logan balançar a cabeça do meu lado, indignado pela minha atitude. Respirei fundo e pedi que fôssemos embora. Por mais que eu soubesse que ele queria negar, o vi concordar comigo pacientemente. Deixamos o quarto e ele foi falar alguma coisa na recepção antes de sairmos daquele lugar. E a propósito, saí de lá tão zonza, que fiquei no automático o tempo todo que Logan instruía onde tinha deixado o carro e pegávamos o caminho para casa. Só fui sair do transe quando pus meus pés para o lado de fora do automóvel, na garagem da mansão, onde eu não me importaria de passar o resto da vida para não ter que encarar alguém.

Logan: Vamos entrar? -me chamou e eu concordei silenciosamente. Entrei pela porta da frente logo depois dele, Débora parecia falar no telefone e o Danny fazia contas e anotações ao lado dela. Na conversa entre eles haviam nomes e valores, eu ignorei indo para a sala mais próxima e vazia me fechando lá para colocar tudo no lugar. Como só usávamos a sala de jantar raramente ou quando havia alguma festa aqui, tinha quase certeza de que ninguém ia me incomodar. Me aproximei do mini bar de verniz e estiquei os braços até a prateleira mais alta dele pegando uma garrafa de vinho, a qual eu me atrapalhei um pouco para tirar a rolha, mas por fim consegui. Enchi a taça quase até a borda e me sentei em uma poltrona. Eu estava ferrada.
Eu: Grávida! -repeti baixinho para ver se aquilo entrava de alguma forma na minha cabeça. Tudo que consegui foi um coração martelando violentamente enquanto tentava imaginar qual seria a reação do Zayn. Essa pergunta me fazia engolir sem dó o conteúdo da taça, droga, será que eu ando agindo como uma alcoólatra? Não, melhor me concentrar realmente no que interessa: uma hora ele descobriria. Mesmo que Logan cumpra a promessa, não conte nada, eu ainda estaria convivendo com Zayn e ele mais cedo ou mais tarde ficaria sabendo. Isso naturalmente me conduzia as lembranças da nossa última briga, depois dela não trocamos mais uma palavra sequer, e eu tinha a leve impressão de que ele estava fugindo de mim, mas por quê? Ao que parece, ele só sabe atacar, mas quando eu mudei as posições, ele achou melhor recuar como um bom estrategista que é.
Algo ridículo sobre a briga também me veio a cabeça, aquilo dele não querer que eu bebesse e ao mesmo tempo não poder me contar alguma coisa. A maneira como me olhou quando chegou aquela noite...ele tinha algo a me esconder e tudo bem que agora eu também, mas...Espera, será que...?
Não, ele não me esconderia isso. É algo sério demais.
Ele não poderia saber antes de mim, não havia como saber.
Ou havia? Eu sabia que era de Zayn Malik que estava falando, mas mesmo assim não era possível alguém saber antes mesmo de mim sobre o que acontecia dentro do meu corpo. Era loucura, e esse pensamento involuntariamente me fez rir de mim mesma.
Terminei uma ou duas taças e resolvi que estava pronta para voltar ao "mundo real". Deixei a sala de jantar voltando para o primeiro cômodo da casa, onde agora Danny e Débora comiam brigadeiro, viam noticiário -que pelo visto ele ainda estava grilado com isso, afinal era o único que prestava atenção-, e malhavam alguns clientes. Sim, eles realmente estavam contando suas próprias histórias de experiencias engraçadas ou estranhas com clientes e tentavam um superar a do outro. Ela me chamou e eu quase me juntei a eles, mas dei uma desculpa para sair de fininho depois de ouvir alguns sons baixos vindos do corredor que dava para o estúdio de Zayn. Passei pela porta dele esperando que trocássemos pelo menos uma palavra que fosse. Eu sei, é deprimente, mas naquele momento tudo que eu queria...tudo que eu precisava era dele, nem que fosse indiretamente ou por um segundo.
Mas como eu não estou na minha maré de sorte, a cena que eu vi foi algo aparentemente normal. Percebendo os sons agora levemente mais altos saindo pela brecha da porta. Lá dentro estava o Zayn ouvindo Jack insistir algo numa voz imponente e agora prestando atenção era algo que acabou interessando meus ouvidos.

Jack: Eu mereço saber ao menos o que aconteceu com ela! -exigia em tom cortante. Zayn riu, um riso morto e balançou a cabeça.
Zayn: Cara, chega disso. -pediu. -Deixa esse assunto morrer de uma vez assim como ela, a Piper já era. -deu enfase em cada palavra como se fosse para entrar na cabeça de Jack.
Jack: Como você ousa falar dessa forma, podia ser a SeuNome! -alterou a voz. -Ela tinha seus defeitos, m-mas sabia o quanto ela significava pra mim. Quer que eu acredite simplesmente que não foi você, mesmo depois da maneira que saiu daqui? VOCÊ ESTAVA INDO ATÉ LÁ MATA-LA!
Zayn: Escuta, o que eu vi, você não suportaria, -exclamou provavelmente tentando manter a calma.
Jack: Quer dizer então que o tal daquele "Dylan" das mensagens foi o mesmo que a matou na sua frente? E você simplesmente ficou parado, é claro.
Zayn: Me fala que porra você queria que eu tivesse feito?! Ela mesma assinou a própria sentença de morte! -o punho de Jack estremeceu a mesa.
Jack: NÃO, TODO MUNDO AQUI JÁ FEZ ISSO, ALI ERA UMA VIDA EM JOGO, A VIDA DA MINHA NAMORADA E VOCÊ NÃO MEXEU UM DEDO PARA AJUDAR ELA.
Zayn: E quer saber? -questionou provocador. -Mesmo que eu pudesse, não faria. Eu não iria mata-la, mas também não salvaria a vida dela se estivesse contando comigo. -Jack o encarava com desprezo. -A desgraçada te traiu com ele esse tempo todo, passava informações nossas e ainda sim você consegue se doer pela morte dela, eu sinceramente achei que fosse mais inteligente do que isso.
Jack: Eu não dou a minima pra o que você pensa! Só por causa das merdas que ela falou da SeuNome? -disse com cara de nojo. -Mesmo com a traição, isso ainda não era motivo.
 Zayn: VOCÊ ESTAVA CEGO POR AQUELA MULHER JACK, NÃO VÊ ATÉ ONDE ELA CHEGOU E TUDO ISSO POR ATENÇÃO DE HOMEM, PARA QUE NOTASSEM QUE ELA PODIA FAZER ALGUMA COISA CONSIDERÁVEL! -ele gritou, claramente atormentado. Jack recuou, olhando para baixo pensativo. -Ela criou uma situação irreversível!
Jack: A SeuNome está grávida e não com uma doença terminal, a Piper está morta! -afirmou com firmeza e Zayn não parecia abalado. Apenas o olhava friamente, com um olhar vazio que na mesma hora me matou a charada. Ele sabia. Sabia da gravidez antes de mim. Várias dúvidas ainda estavam  na minha mente mas as afastei assim que a raiva potente começou a subir. Ainda dava tempo de dar a volta e sair dali, pensei. Mas estava sentindo tanto ódio que não cabia em mim, a raiva por ter sido enganada falava bem mais alto do que qualquer senso de controle que eu pudesse ter. Adentrei o estúdio tão rapidamente que Zayn apenas me percebeu quando minha mão já tinha voado de encontro com seu rosto. Jack me segurou por trás naquela sua mania imbecil e eu como sempre, automaticamente reagi. Zayn não tocou no lugar vermelho onde estava a marca da minha mão, apenas puxou o ar pelo nariz de um jeito irritado, me olhando com o olhar distante.
Eu: Você sabia? -proferi a acusação disfarçada de pergunta. Eu só não gritava ou batia nele porque sabia que se eu movesse um músculo, as lágrimas escorreriam e me entregariam, mostrando o quanto ele me afetava. O silencio dele me deixava incrivelmente nervosa, e querendo ou não, o tomei como incentivo. -Você sabia. -falei de novo, mas agora sem deixar duvidas de que estava lhe acusando. -Como?! -ele hesitou, mas então abriu a boca. Achei que fosse perguntar como eu descobri, mas acho que chegou a conclusão rápida de que não importava, então respondeu a minha pergunta.
Zayn: A pedido de alguém do Michell, e com isso quero dizer a Gena, Piper sabotou nossos meios de prevenção quando entrou no meu quarto diversas vezes para que você engravidasse e tirasse a nossa atenção das estratégias e nos deixasse vulneráveis.
Eu: Poxa. -ri sem humor. -Você falando assim parece até ridículo.
Zayn: É! -concordou. -E assustadoramente doente também. Charlie Mitchell é bom no que diz respeito vinganças sexuais.
Eu: Não acredito que teve coragem de mentir pra mim sobre isso, de me esconder que eu estava com um filho na barriga e teria que descobrir quando? Sozinha, quando já estivesse evidente? -indaguei com sarcasmo, eu estava desabando.
Zayn: Não, isso não é um filho. -continuava me olhando de forma fria, e quando falou quase me assustei com o tom da sua voz. - É um golpe, e dos bons. A coisa mais bem pensada para nos levar cada vez mais para trás. -nesse momento, a maior dor possivelmente consumiu meu peito. Olhei para o teto e trinquei os dentes para não chorar na frente dele.
XX: Hey. -uma quarta voz, feminina atrás de mim nos deixou paralisados. -Vamos ficar juntos, somos uma equipe, somos os melhores, só vamos fazer o que sabemos e fomos treinados. No fim tudo vai ficar bem, tem que ficar. -disse mostrando que havia ouvido tudo, a mão de Deb estava no meu ombro, me oferecendo apoio. Logo atrás dela estava Danny calado e em choque. Como eu não respondi, talvez ele tenha achado que devia.
Danny: Sim, mas agora tenho medo do que pode acontecer...
Zayn: Nada vai acontecer. -minha garganta era um completo nó, enquanto uma lágrima descia pelo meu rosto. O filho da puta só tem isso a dizer? Ele tenta pegar na minha mão e isso é um estopim para eu perder totalmente o controle.
Eu: EU TE ODEIO, SEU DESGRAÇADO! VOCÊ NEM SEQUER IRIA ME CONTAR E ME DAR APOIO, EU VEJO NA SUA CARA AGORA MESMO QUE NEM ESTÁ ARREPENDIDO DISSO! EU NÃO SUPORTO NEM MAIS OLHAR PRA VOCÊ! -eu gritava descontrolada, agora seu cinismo silencioso a minha frente foi a gota d'água.
Zayn: Eu já entendi que você me odeia, eu só fiz o que foi preciso fazer. Você está alterada e falando um monte de merda. -respondeu ao mesmo tempo que meu coração sofria por eu estar ficando cada vez mais distante dele. Todos ali continuavam calados. Zayn tentou continuar a se explicar mas não deixei.
Eu: EU CONFIEI EM VOCÊ!
Zayn: Eu nem sabia se era verdade realmente, estava perdido. -senti meu pescoço rígido diante da minha respiração inexistente. -Só precisava de tempo para pensar no que fazer.
Eu: Nós podíamos pensar juntos no que fazer, mas você preferiu que eu descobrisse pela dor. E quando essa criança nascer? O que...
Zayn: Nascer? -riu- Você não entende, não é? Só está gravida porque ele deu essa ordem a Piper, alguém lá quis isso. -disse subindo mais o tom de voz conforme me matava com cada palavra dita. -Só pra me atingir, nos fazer sofrer. Essa foi a maior jogada de todas. Ele quer saber que estamos gritando, nos desesperando e simplesmente não podemos fazer nada. -terminou de falar me deixando com a boca aberta e lágrimas nos olhos. -Eu errei? Talvez, mas você não me deu a oportunidade de me explicar, de fazer você entender isso, entender o que aquela vagabunda me fez passar quando veio com essa bomba pro meu lado. Droga! Eu tive os meus motivos. -voltei meus olhos pra ele, seu olhar era implorativo.
Eu: Vai fugir? Sempre assim, você sempre dá um jeito de fugir, não é? Temos um maldito problema e você é melhor que isso!
Zayn: Não, eu não sou. -respondeu rispidamente. Como viu que eu estava irredutível, desistiu de tetar suplicar, se armando com deboche. -Eu nem sei se esse filho é meu.

Eu estava paralisada com a boca aberta. Não escutei essas palavras...Então era isso que ele pensava de mim? Será que se esqueceu das coisas que já passamos, de que infelizmente o único que exerce algum poder sobre mim é ele? Não, ele sabia muito bem disso, mas não ia perder a oportunidade de me humilhar na frente de todos.

Eu: Você acha que eu seria capaz de empurrar um filho de outro homem pra você? -pedi aflita.
Zayn: Você sai por aí seduzindo os clientes, vive em boates todos os dias, eu não vejo porque eu devia duvidar das hipóteses. -continuou a provocar, mesmo que soubesse que cada palavra era mentira, ele inventava mais e mais para me castigar.
Eu: Você acha que eu te traio? -tive que rir sarcasticamente de tamanha ridicularidade. Ele suspirou alto dando de ombros.
Zayn: Tanto faz. Isso não vai chegar a lugar nenhum. Eu escondi isso e ponto, não sei o que quer que eu faça. -assenti completamente magoada e recuei, passando por aqueles dois amontoados na porta. Subi correndo para o meu quarto. Ajoelhei-me com urgência contra o chão e chorei fortemente, tirando tudo aquilo de dentro de mim, minhas mãos tremiam e eu estava praticamente em choque.

                    Não demorou muito para que a Deb tocasse na porta do meu quarto, perguntando por mim. Já era tarde, e o anuncio sobre o racha que ouvi nas bocas das pessoas dessa casa ontem anoite já devia estar esperando por nós. Sim, nós. Eu não perderia essa por nada, além do mais eu só havia ido uma vez a um tempão.  Abri a porta e ela perguntou receosamente se eu iria, o que afirmei. Tomei um banho rápido para me livrar daquele cheiro de hospital e me vesti com um tomara-que-caia rosa, saltos pretos e uma jaqueta de couro na mesma cor. Desci dando de cara com Danny, eu perguntei se podia ir com ele e tive uma confirmação. Estavam todos se preparando, comentando sobre as novidades e como seria legal e como sentiam falta daquele tipo de coisa como se a algumas horas atrás o estúdio do Malik não tivesse sido plateia daquela briga do ano. Na verdade eles até pareciam abalados com algo, mas se falavam normalmente. Logan por incrível que pareça estava falando com Jack, e pelo visto só faltava uma ilustre presença para sairmos.
Assim que ele adentrou o loft, todo produzido com suas roupas que esmagavam o estilo de qualquer mulher, me fiz mais ereta e confiante que podia, mesmo que meu rosto abatido por baixo de alguma quantidade de base me delatasse se alguém prestasse bem atenção. Deb pegou no meu braço e sorriu, antes de sair com os meninos até a garagem. Ia acompanha-los quando fui abordada rapidamente.

Zayn: Você não vai a lugar nenhum nesse estado, isso é sério. Acabou de descobrir, devia descan..
Eu: Você mesmo disse, não é um bebê, é uma coisa. -me armei rapidamente contra sua falsa mudança de humor, agora que estávamos sozinhos ele queria dizer que se preocupava só para me irritar mais ainda, e seu sorriso cínico confirmou meu pensamento. -Então me diga, por que se importa se eu vou ter ou não cuidados com isso? -destaquei a ultima palavra e ele se afastou como se me segurar lhe queimasse a mão.

Segui para a garagem e entrei no carro de Danny junto com Logan. Seguimos para o local afastado perto de uma rodovia onde muitas equipes de competidores já se organizavam assim como os espectadores ficavam de bobeira, causando muito tumulto como já era de se esperar. Estacionamos em uma fileira sem fim de carros e motos, já percebendo como o clima animado da festa ali poderia ajudar em alguma coisa. Acabamos como da última vez nos separando, já que cada um queria fazer uma coisa. Sabia que ainda estava ferida, meus sentimentos era uma desordem enorme, mas sem dúvida a mágoa e raiva por ter sido enganada gritava a cada passo que eu dava naquele chão de terra. É claro que eu queria me divertir como louca, mas sabia que esses sentimentos não me deixariam tão cedo. A sensação de estar ali outra vez era nostálgica, maravilhosa e contagiante pela animação das pessoas a minha volta realizando mais atividades do que eu poda contar, mas mesmo assim as vezes mantive o pensamento um tanto pesado e distante.
Passei por aqueles inúmeros veículos customizados com apetrechos chamativos, iluminação especial, pinturas coloridas e sons altíssimos já tomando minha completa atenção. Mesmo que o grau de organização das corridas fosse alto, era agradável e incomodo ao mesmo tempo me sentir totalmente no deserto, em contato com a poeira e o vento bagunçando os cabelos. Vendo todas aquelas máquinas por onde eu passava, algo no meu corpo agia como um orgasmo apenas lembrando da velocidade, de todo o perigo...Meu tamanho fascínio e atração pela adrenalina me empurrava para um ponto nômade de loucura que deslumbrava completamente. Eu imaginei por um instante como seria estar novamente em um carro daquele com alguém que corresse o suficiente para me fazer sentir estrelas explodirem dentro de mim.
        Várias coisas pareciam diferentes do que eu recordava, primeiro ouve uma prova de arrancada e na zona sul da festa onde maior parte da multidão se concentrava acontecia um drift, onde os carros andavam de lado, fazendo manobras arriscadas e aquilo manteve minha atenção presa por bastante tempo.
Aí do nada, eu acabava encontrando alguém conhecido e dava um jeito de fugir, ainda envergonhada pela maneira como eles me viram hoje. Quando voltei mais para perto dos carros, vi Zayn com um grupo de pessoas que eu não fazia ideia de quem eram, assim como não sabia quais eram os planos dele para essa noite. O observei de longe rapidamente e fui para outro lado antes que ele me visse também. Isso foi o bastante para que me trouxesse de volta para uma pontada de angustia. Merda. Agora eu estava pagando pelo meu momento de fraqueza se assim pode se dizer. A meses eu podia ter ido embora quando ele me liberou, encarado aquelas pessoas em San Diego e nunca mais tido nenhum contato com alguém que tivesse "Malik" no sobrenome, incluindo todos sem exceção. Agora estava eu: com mais problemas que antes e tendo que lidar com uma gravidez repentina.
                      Depois de algumas horas, várias apostas já tinham sido feitas, competidores entraram em ação e mais pessoas chapadas e bêbadas do que antes. Alguns pedestres haviam sido atropelados mas pelo que ouvi por aí não havia sido algo grave. A transgressão estava em todo canto que se olhasse, mas aí que está. Eu estava hipnotizada por ela como uma boba. Parecia que isso sempre aconteceria comigo enquanto eu retornasse a esses lugares.
 Eu estava derrotada, e qualquer um que olhasse veria na minha expressão de garota perdida e mesmo assim animada com a perspectiva que tudo aquilo me oferecia. Eu parecia com as pessoas que via todos os dias. Parecia com as pessoas para quem eu vendia. Parecia alguém disposta a rir divertidamente enquanto jogava minha vida fora por dinheiro, pequenos sacos de pó, ou pelo sorriso charmoso de um estranho. O ambiente, o álcool, os jogos, as gritarias e barulhos de motores rangendo quebraram a tensão em que estávamos por um tempo.
                   Enquanto conversava com algumas garotas e caras que acabava de conhecer percebi o quanto utilizei a psicologia reversa para conseguir o que eu queria aquela noite. Uma bebida, uma conversa, atenção. Por um segundo me envergonhei disso, ao mesmo tempo que sentia-me a pessoa mais foda do mundo. Vi um pouco de Zayn em mim mesma enquanto admirava meu sorriso enviesado ao lado daqueles corredores no reflexo que seus capôs brilhantes proporcionavam.                         Contudo, me assustei junto com a multidão quando vários automóveis saíam queimando dali, pessoas corriam para todos os lados e muitos me empurravam sem parar. O barulho ensurdecedor de sirenes tomou conta do ambiente  que até agora pouco permanecia agitado. Todos faziam de tudo para sair dali o mais rápido que podiam e eu me vi perdida em meio a correria e empurra-empurra de corpos. Avistei Zayn ao longe perto de Jack, ele olhava para todo canto desesperado e procurando alguém. Tive certeza absoluta que estava me caçando já sabendo que eu estava acabada. Gritei seu nome engolindo todo meu orgulho em meio aquela confusão de corpos e carros, mas quando uma viatura cantou pneus entrando quase que a minha frente, o vi de longe recuar e entrar no carro de Jack. Gritei mas ele já havia ido embora, tão rápido que na alto estrada rapidamente desapareceu. Olhei para os lados e via policiais por toda parte, abordavam pessoas que não conseguiram sair de lá assim como eu e logo senti meu corpo ser jogado em cima de um carro com toda força fazendo-me gemer de dor e surpresa. Meu coração saía pela boca e minha respiração estava descompassada enquanto o homem me revistava falando alguma coisa que era impossível ouvir por causa dos gritos em volta e das sirenes. Em seguida tiraram-me minha arma e então relembrei o desconforto de ter algemas metálicas apertando meus pulsos. O problema era, isso não significava que eu iria ser fodida por Zayn Malik, significava que eu seria fodida pela lei. Com esse pensamento em mente, soltei um xingamento enquanto via outras pessoas ali sendo algemadas exatamente como eu enquanto os carros de policia já tinham tomado conta do lugar.


CONTINUA...



Wham bam, here i am ;)
Desculpem pela letra, eu tinha escrito no Word e quando coloquei aqui não consegui deixar da maneira que tenho costume. Desculpem mesmo por isso, tentei um monte de coisas para concertar e não consegui. Mesmo assim, espero que gostem <3

21 comentários:

  1. EITA CARAMBA A SEUNOME FOI PRESA? Não creio. Comtinua logo!!! Ai caramba meu relacionamento com essa fic é sério demais, eu preciso. Meu Deus continua rápido

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  2. Cara,quando vejo q tem capitulo novo fico tão feliz hahaha �❤

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  3. Amei o capitulo ❤
    Xxcontinua

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  4. Meu Deus 😱😱😱ok, desculpe por nunca comentar, mas acompanho essa fanfic desde o capítulo 8 e estou comentando agora! Nunca tenho tempo, mas agora consegui um, então vamos lá!
    Lizzy é a melhor fanfic que eu estou lendo, mesmo não comentando às vezes tenho vontade de te matar por demorar pra postar, mas cada demora vale a pena!
    Parabéns garota você tem um talento incrível! Desculpa não ser comentarista fiel, mas acredite sou uma leitora fiel, e agora mais do que nunca vou tentar comentar sempre, nem que seja um "continua logo"... enfim, beijos linda Lizzy, estou ansiosa para ler o próximo capítulo! 😍

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  5. meu relacionamento com essa fic é sério demais rt rt rt rt rt 1000 rts, precisa continuar bem rápidoooooo, eu não aguento esperar por essa fic não, continua pelo amor de Deus!!!! COMO A SEUNOME FOI PRESA, EITAAAA NÓIS

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  6. Passei um tempão lendo esse capitulo, agora vou ler denovo 💚

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  7. Caraca, ja disse q vc arraza nessa fic? Essa é a melhor fic de todas

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  8. Continua , amei o capitulo

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  9. Sem duvida o melhor final de capítulo q eu ja li na vida 👏👏👏😍😍😍

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  10. MENINA TÔ PASMA! AMEI O CAPÍTULO ❤❤❤ AINDA Ñ ACREDITO QUE S/N FOI PRESA DEU A DOÍDA NO ZAYN QUE ISSO BOY Ñ QUER ASSUMIR O FILHO AINDA DIZ QUE TEM DÚVIDAS SE E O PAI OU Ñ ...AMO ESSA FIC DO CORAÇÃO E ESTOU ANSIOSA PRA SABER O QUE ESTÁ POR VIR!!!!!
    XX:Ana❤❤❤bjs

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  11. Melhor fic q ja li ,serio a melhor fic

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  12. Toda vez q termino de ler o capitulo fico pensando como será o proximo, pq vc arrasa na história em si! Serio melhor fic
    Continua

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  13. Termino de ler o capitulo e ja quero saber quando vai postar o outro hahaha
    Continua sz

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  14. Nao to acreditando q a s/n foi presa mds kkkkk coitada

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  15. Caramba esse final , me deixou pensando muita coisa kkkk

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  16. Continua viu? O capitulo ficou otimo

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  17. Gostei muito do capitulo

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  18. Oiee!! Nunca comentei nem nada, mas quero que saiba que sou apaixonada pela BOM e pela sua maneira de escrever!!😍😍😍 Parabéns!! Gostaria de saber se vc conhece o "Wattpad" e se não gostaria de começar a postar a sua fic por lá também!! Seria incrível!!! Adorei o cap. 👍🏽👏👏👏

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